Idoso precisa tomar vacina?

Saúde
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Gerson Mazzucato, médico infectologista e colega aposentado do Banco do Brasil responde à pergunta e esclarece outras dúvidas

 

SELO 30 ANOSO aumento da longevidade é excelente notícia, mas também representa desafio. Estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a quantidade de pessoas maiores de 60 anos mais do que triplicará nas próximas décadas: de 19,6 milhões, em 2010, para 66,5 milhões, em 2050, sendo que, no mundo, o número de idosos superará o de crianças até cinco anos.

 

Isto leva ao questionamento: o que fazer para assegurar a melhor qualidade de vida desse grupo?

 

Pensamos em prevenção de doenças. E isto leva a uma mudança de atitude, como o cuidado com alimentação, a prática de exercícios, a prevenção a quedas, a importância de vida social  e de amigos, a oportunidade de viagens, a boa assistencia médica e …  vacinas.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a invenção da vacina como a segunda maior conquista da humanidade em termos de saúde pública - depois da água potável.

 

Não é coisa de criança

Infelizmente, o pensamento de que somente as crianças precisam se vacinar persiste. Adolescentes e adultos só costumam se imunizar em períodos de surtos, como o atual de sarampo ou meningite. Os idosos, por sua vez, em nosso meio, têm como hábito buscar apenas a vacina anual contra a gripe.

Na medida em que o sistema imune naturalmente se torna mais fraco com o envelhecimento, não se vacinar significa expor-se a risco desnecessário de infecções por doenças preveníveis que podem agravar quadros crônicos e levar à hospitalização ou à morte.

 

 Que vacinas tomar?

Para idosos, são dez as vacinas recomendadas. Seis delas são indicações de rotina: gripe, pneumocócicas 13 e 23, tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (difteria, tétano e coqueluche), hepatite B e herpes zoster. Já a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e as que previnem a febre amarela, hepatite A e as doenças meningocócicas causadas pelos tipos ACWY são recomendadas em situações especiais, após avaliação médica.

 

Onde tomar?

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Eu já tive sarampo. Preciso me vacinar?

Não. Mas para aqueles que não tenham certeza que tiveram a doença ou não sabem se já se vacinaram devem procurar uma unidade de saúde ou clínica de vacinação. O sarampo em adultos é uma doença grave sendo o contágio muito fácil. Em uma situação de epidemia a circulação do vírus é intensa.  Apesar de as campanhas excluirem pessoas acima de 60 anos como prioridade para vacinação, cada pessoa e sua particularidade deve ser analisada  (professores, profissionais de saúde, doenças existentes, contato com crianças, etc ) visando a melhor conduta.

 

Preciso me vacinar todo ano contra pneumonia?

A bactéria que causa pneumonia (pneumococo) é a responsável por uma série de infecções que acometem pessoas nos extremos da vida (criança e idosos), principalmente aqueles com doenças que diminuem a imunidade como diabetes, neoplasias e doenças crônicas. Existem dois tipos de vacina para pneumococo e dependendo do tipo que o idoso primeiro utilizou pode ser necessário um reforço após um ano ou a cada cinco anos. Consulte seu médico.

 

E o futuro?

Para algumas doenças, como câncer colorretal e linfomas existem estudos que demostram a eficácia de vacinas. Apesar de serem chamadas de vacinas — já que envolvem o sistema imunológico do paciente —, são usadas em pessoas que já possuem a doença. Pesquisas  mostram que existem evidências de que é possível guiar o sistema imunológico do paciente e destruir esse tipo de doença de uma forma segura.

 

Gerson Mazzucato, médico infectologista e colega aposentado do Banco do Brasil

 

Fontes:

Calendário de Vacinação SBIm – Idoso

Ministério da Saúde

 

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