Palestra na AFABB-SP esclarece mitos e verdades sobre intolerâncias e alergias alimentares.

Especialistas da CliniCASSI Jabaquara orientaram associados sobre como identificar sinais do organismo, as diferenças entre alergias e intolerâncias e os cuidados com dietas restritivas.

Na última terça-feira (29), a Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Brasil no Estado de São Paulo (AFABB-SP) promoveu um encontro fundamental para a qualidade de vida e a saúde preventiva de seus associados. A palestra “Intolerâncias Alimentares” reuniu especialistas da CliniCASSI Jabaquara: a Nutricionista Danielle Andrade da Silva e a Médica de Família e Comunidade Dra. Isabela Vinholi Gonçalves.

O evento trouxe esclarecimentos essenciais sobre como o sistema digestivo reage a diferentes alimentos, ensinou a diferenciar quadros clínicos comuns e alertou sobre os perigos da exclusão indiscriminada de nutrientes sem acompanhamento profissional.

Alergia ou Intolerância? Entenda a diferença

Um dos pontos de destaque da apresentação foi desfazer a confusão frequente entre alergia alimentar e intolerância alimentar:

  • Alergia alimentar: Trata-se de uma resposta imunológica anormal do organismo. Pode ser mediada por anticorpos (como o IgE), manifestando-se rapidamente mesmo diante de quantidades microscópicas do alimento. Casos alérgicos exigem atenção redobrada pelo risco de anafilaxia (reação grave que compromete a respiração).
  • Intolerância alimentar: Muito mais comum — atingindo entre 15% e 20% da população —, a intolerância decorre da dificuldade do organismo em digerir ou metabolizar determinado composto (geralmente por deficiência enzimática). Diferente da alergia, sua intensidade é proporcional à quantidade ingerida e os sintomas costumam ser gastrointestinais, como distensão abdominal, gases, dores e alterações no trânsito intestinal.

Lactose, Glúten e FODMAPs: os principais vilões do dia a dia

As profissionais detalharam as principais condições que afetam a digestão e o bem-estar:

  1. Intolerância à Lactose: Provocada pela deficiência parcial ou total da enzima lactase, gerando desconfortos poucas horas após o consumo de lácteos. A conduta recomendada envolve testes diagnósticos adequados, uso pontual de alimentos com redução de lactose e reintrodução gradual para testar a tolerância individual.
  2. Frutose e Carboidratos Fermentáveis (FODMAPs): Frutanos, oligossacarídeos e polióis (adoçantes como sorbitol e manitol) fermentam rapidamente no intestino, gerando inchaço e dor. A nutricionista alertou: dietas de restrição de FODMAPs devem ser temporárias (de 30 a 60 dias) e com reintrodução estruturada, pois a exclusão prolongada prejudica diretamente a microbiota intestinal saudável.
  3. Doença Celíaca versus Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca (SGNC): Enquanto a doença celíaca é uma enfermidade autoimune severa (que exige exclusão vitalícia e total do glúten para evitar atrofia intestinal), a sensibilidade não celíaca acomete cerca de 10% das pessoas e manifesta sintomas tanto digestivos quanto sistêmicos (como enxaqueca, fadiga e sensação de "névoa mental"). Nesses casos, pães de fermentação natural e longa costumam apresentar melhor digestibilidade.
  4. Histamina e Aditivos Químicos: Sintomas como rubor, coceira, palpitações e cefaleia também podem estar associados à deficiência na metabolização da histamina ou à hipersensibilidade a conservantes e realçadores de sabor (como glutamato monossódico, sulfitos e nitritos).

A “Dica de Ouro”: Aprenda a ler os rótulos

Ao final da explanação, a nutricionista Danielle Andrade compartilhou orientações práticas para as compras do dia a dia:

  • Ordem decrescente: A lista de ingredientes dos produtos industrializados é sempre organizada do item presente em maior quantidade para o de menor quantidade.
  • Atenção aos alérgenos: Verifique com atenção os avisos obrigatórios de “contém”, “não contém” ou “pode conter traços de”, essenciais para evitar contaminação cruzada.
  • Tecnologia como aliada: Aplicativos como o Desrotulando auxiliam na checagem rápida da qualidade nutricional dos itens de supermercado.

A mensagem central deixada pelas profissionais foi clara: "Escute seu corpo, pois ele sempre dá sinais." O autoconhecimento, aliado à orientação médica e nutricional, é a chave para uma alimentação equilibrada e prazerosa, sem restrições desnecessárias.

Aviso aos associados:

Perdeu o encontro ou gostaria de rever as explicações em detalhes?

 A palestra está disponível em nosso canal do YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=UP5j9QpAAjs

Link da APRESENTAÇÃO: APRESENTAÇÃO_INTOLERENCIA_ALIMENTARES

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