O envelhecimento da população japonesa não é apenas uma questão demográfica, ele também desperta o interesse de pesquisadores e especialistas que buscam compreender por que tantos japoneses conseguem chegar à velhice mantendo autonomia e qualidade de vida.
O Japão também se destaca pelo número de pessoas que chegam aos 100 anos.
O país já ultrapassou a marca de quase 100 mil habitantes centenários, um fenômeno que acompanha décadas de aumento da expectativa de vida. A longevidade japonesa está relacionada a uma combinação de fatores que envolve alimentação, atividade física, relações sociais, hábitos culturais e acesso aos cuidados de saúde.
A alimentação como parte da longevidade
Um dos aspectos mais observados é a alimentação tradicional japonesa. O cardápio costuma incluir peixes, vegetais, legumes, arroz, soja e derivados, além do tradicional chá verde.
O consumo frequente de peixes fornece proteínas e gorduras consideradas benéficas para a saúde cardiovascular. Já alimentos à base de soja, vegetais e chás contribuem para uma dieta rica em nutrientes e compostos antioxidantes.
Outro ponto é o menor consumo tradicional de alimentos ricos em gordura saturada quando comparado a padrões alimentares ocidentais mais ultraprocessados.
Isso não significa, porém, que exista uma "dieta milagrosa" responsável pela longevidade japonesa, a alimentação é apenas uma peça de um conjunto muito maior de hábitos.
Movimente-se
A rotina também tem papel importante: Caminhar, realizar tarefas domésticas, utilizar meios de transporte que exigem deslocamento a pé e manter-se ativo fazem parte da vida cotidiana de muitos idosos japoneses.
Esse princípio pode ser especialmente relevante durante o envelhecimento: preservar força muscular, equilíbrio, mobilidade e independência ajuda o idoso a continuar realizando suas atividades do dia a dia.
Envelhecer não significa deixar de participar
Outro aspecto frequentemente associado à longevidade japonesa é a manutenção dos vínculos sociais e do senso de propósito.
Um conceito bastante conhecido é o ikigai, palavra japonesa frequentemente relacionada à ideia de "razão para viver" ou aquilo que dá sentido à existência. Embora o termo seja muitas vezes simplificado nas redes sociais, a busca por propósito, participação social e atividades significativas pode contribuir para uma vida mais ativa e satisfatória.
Ter amigos, participar da comunidade, cultivar hobbies, aprender coisas novas e manter responsabilidades pode ajudar a combater o isolamento social e estimular a autonomia.
O que podemos aprender com o Japão?
A experiência japonesa mostra que longevidade não depende de um único hábito, não é apenas o peixe, o chá verde ou a genética. Uma vida longa e saudável é resultado de uma combinação de fatores: alimentação equilibrada, movimento, prevenção, cuidados médicos, vínculos sociais, saúde mental e propósito.
Para quem está envelhecendo ou se preparando para essa fase, a principal lição talvez seja justamente essa: cuidar da longevidade começa muito antes de chegar aos 65 anos.
O Japão pode ter uma das populações mais longevas do mundo, mas seu maior ensinamento não está simplesmente em viver até os 100 anos. está em buscar condições para chegar à velhice com autonomia, saúde, vínculos e vontade de continuar vivendo novas experiências.
Longevidade não é apenas contar anos, é cuidar para que os anos tenham qualidade.
Referências
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqlwlzey2dgo
https://novonoticias.com.br/longevidade-japonesa-descubra-os-segredos-para-viver-mais/
https://institutodelongevidade.org/longevidade-e-cidades/direitos-e-cidadania/longevidade-no-japao
https://www.nature.com/articles/s41430-020-0677-5