No Dia do Idoso, celebramos mais do que o passar dos anos, exaltamos histórias de vida que inspiram, trajetórias marcadas pela experiência e pela superação. Para homenagear essa data tão significativa, conversamos com uma associada da AFABB-SP que construiu uma trajetória de 25 anos no Banco do Brasil e, após a aposentadoria, descobriu novas formas de aproveitar o tempo, cuidar de si e permanecer ativa. Também fez parte do Conselho Deliberativo da AFABB-SP durante seis anos, nas gestões de 2013/2016 e 2016/2019, contribuindo diretamente para a história da Associação.
Em uma conversa marcada por memórias, aprendizados e reflexões sobre o envelhecimento, Cecília Mazzuchelli compartilha momentos importantes de sua vida profissional, as descobertas dessa nova fase e sua visão sobre saúde, autonomia, amizades e os desafios de envelhecer em uma sociedade que ainda precisa aprender a respeitar e valorizar a pessoa idosa.
AFABB-SP: Quantos anos e em qual área você trabalhou no Banco do Brasil?
Cecília: Prestei o primeiro concurso de admissão à mulheres. Escolhi a ag. metropolitana Tatuapé e depois me transferi para a então ag. Centro-SP. Trabalhei por 25 anos, passando pelos setores de Cobrança, Cassi(ainda junto ao funcionalismo), Fipro(setor específico da Ag.Centro) e, finalmente, Cambio.
AFABB-SP: Você participou de um dos primeiros concursos de admissão de mulheres no Banco do Brasil. Como era ser uma mulher entrando em uma instituição que, até então, tinha uma presença feminina muito menor? Você sentiu que estava vivendo um momento histórico?
Cecília: Participei do primeiro. Fui bem recebida, naquele momento não avaliei o acontecimento. Mas pude perceber que algo havia mudado. A capacidade intelectual feminina estava sendo provada e aprovada. Era o início, começamos poucas, para chegarmos, hoje, até a presidência dessa grande Instituição. Foi, sim, um momento histórico.
AFABB-SP: Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória profissional?
Cecília: Houve muitos. Desde a simples satisfação sobre a recuperação da saúde de um colega; de pendência resolvida através de correspondência bem escrita até os momentos decisivos de greves.
AFABB-SP: O que mudou na sua vida depois da aposentadoria?
Cecília: Após a aposentadoria, não parei. Só que as atividades mudaram. Passei a dedicar mais tempo a mim, praticando natação, tai-chi, antes impossibilitada por obrigações outras.
AFABB-SP: O que você descobriu sobre si mesma nessa nova fase da vida?
Cecília: Descobri que se livrar de encargos desnecessários, observar tudo com calma e assim chegar a conclusões acertadas, fazem um bem enorme, mental e fisicamente.
AFABB-SP: O que você gosta de fazer hoje que talvez não tivesse tempo para fazer antes?
Cecília: Sou eclética. Gosto de muita coisa. Curto ecologia, bons filmes, leitura, algum artesanato e as aulas de dança, e o contato com os amigos. Tudo isso, só dá pra fazer agora, e com tranquilidade.
AFABB-SP: Qual é o seu maior motivo para continuar ativa?
Cecília: Qualidade de vida, para enfrentar e participar do que virá, e vendo as crianças crescerem.
AFABB-SP: O que você diria para alguém que tem medo de envelhecer?
Cecília: Diria esta oração que, creio, até ateu concordará:
"Deus, conceda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar o que posso, e sabedoria para distinguir uma coisa da outra". Já tivemos a beleza da juventude. Agora, beleza é saúde, portanto, cuide dela muito bem.
Lembrando que especialidades médicas são muitas, mas o conselho comum a todas é exercitar-se.
AFABB-SP: O que você sabe hoje que gostaria de ter aprendido aos 30 anos?
Cecília: Gostaria de ter sido menos tímida e me posicionado mais.
AFABB-SP: Qual foi a maior lição que a vida lhe ensinou?
Cecília: A vida me ensinou que a liberdade de um termina quando começa a liberdade do outro e que a opinião alheia não é relevante.
AFABB-SP: O que ainda falta realizar?
Cecília: Viagens interessantes, ler mais, maior inserção na área digital, ainda sou muito analógica.
AFABB-SP: Se pudesse eliminar um preconceito sobre pessoas idosas, qual seria?”
Cecília: Seria o tratamento desrespeitoso e infantilizado que se dá a idosos ainda lúcidos e capazes.
AFABB-SP: Você acha que a sociedade prepara as pessoas para envelhecer?
Cecília: Acho que ainda temos que melhorar nesse quesito, pois grande parte da sociedade deixa de se preparar, não aceitando as modificações que o tempo traz. A velhice é uma fase da vida que deve ser aceita e tratada como tal. No coletivo, espaços e atendimentos prioritários representam algum avanço.
AFABB-SP: - O que a AFABB-SP representa para você?
Cecília: A AFABB é um poderoso elo entre a fase laboral e a atual, com reivindicações, orientações e encontros para se discutir sobre nossos direitos junto às Entidades de que fazemos parte(Previ, Cassi), o que seria muito difícil sem tal representação.
Além disso, possibilita o saudável convívio com antigos colegas e outros tantos encontrados por aqui.
AFABB-SP: Qual atividade ou momento da AFABB-SP mais marcou você?
Cecília: Houve vários, mas um momento marcante para mim foi em 2008, quando surpreendentemente fui premiada pela crônica que escrevi.
AFABB-SP: O que você gostaria de dizer para outros associados, uma mensagem, ou algum recado?
Cecília: Aos demais associados, os convido a participarem dos eventos que a AFABB-SP oferece: palestras, encontros, aulas de dança, coral. Venham experimentar tudo isso e ainda rever antigos e novos amigos.
A história de Cecília nos lembra que a aposentadoria não precisa representar uma pausa, mas pode ser o início de uma nova etapa, com espaço para novos interesses, amizades, aprendizados e projetos.
Sua trajetória também reforça a importância de envelhecer com saúde, autonomia, respeito e participação, valorizando as experiências construídas ao longo da vida sem deixar de olhar para aquilo que ainda está por vir.
E, como ela mesma aconselha, cuidar da saúde, manter-se ativo e aproveitar os momentos com tranquilidade são caminhos para viver essa fase com qualidade de vida.
A AFABB-SP agradece a Cecília por compartilhar sua história e suas reflexões — e deseja que sua caminhada continue sendo marcada por novas descobertas, boas histórias e muitos momentos para celebrar.
REGISTROS

Se você tem alguma história, experiência ou vivência que gostaria de compartilhar com a AFABB-SP, entre em contato conosco. Será um prazer dar voz à sua trajetória!
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